“Que a errar, seja por agir e não por ceder ao receio. Que seja por arriscar voar e não por esperar que o vento mude.”

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Quarta-feira, 08 de Junho de 2011

Sentamo-nos frente a frente naquela mesa da cozinha, olho para as quase 3h da manhã que marcam os ponteiros do relógio e para o vidro que deixa transparecer a noite lá fora e deixo-me afundar na cadeira.

A conversa parece fluir num tom de sussurro que nenhum de nós parece querer quebrar. Falamos e ele levanta-se, fuma um cigarro junto ao vidro que abriu. Ao olhá-lo sinto o frio e corro buscar o edredão branco onde me embrulho. Voltamos ambos a sentar-nos e sinto o quentinho que me envolve.

Assuntos que surgem de entre bocejos que rasgam poderosos no cansaço que nos domina. Nenhum de nós parece ter vontade de lhe ceder e arredar pé dali.

Olhamos para o escuro da rua que lentamente dá lugar ao raiar do dia. Brigamos e fincamos pé ao cansaço que nos consome. Não iremos dormir hoje. Vamos falando num momento em que já não sei se nos ouvimos ou nos limitamos a debitar palavras e ideias assumindo que o cérebro do outro processa toda e qualquer informação.

O despertador da manhã dá sinal e no seu tempo enfio-me debaixo do chuveiro. Visto-me e siga para um novo dia. Há conversas que não precisamos lembrar detalhadamente, são apenas vocábulos sonoros que no momento soubemos processar a nosso jeito. Dialogo de única uma noite irrepetível. Não durmo desde ontem de manhã bem cedo.

O corpo acusa o cansaço e a alma também.

 

miúda* às 14:27