“Que a errar, seja por agir e não por ceder ao receio. Que seja por arriscar voar e não por esperar que o vento mude.”

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Segunda-feira, 07 de Maio de 2012

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Há dias em que o meu carro devia ter uma 6a mudança.

Dois sinais vermelhos para trás, e uma espécie de pedido de mais no fim de meter a 5a. Porque há momentos assim, em que e força com que pisamos o acelerador é proporcional ao peso que trazemos no coração.

 

 

miúda* às 04:12

Domingo, 08 de Abril de 2012

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Conduzo naquela estrada estreita que escorre e se perde qual rio  por entre a serra densa de árvores.

É noite de luar. Uma lua farta que ilumina tudo como uma luz de presença a criar sombras tenebrosas.

Piso o acelerador até não poder mais, não sou mais eu mas um vazio de movimentos mecânicos.

Sinto o carro fugir, descontrolado, numa curva demasiado apertada e assim me deixo ir a deslisar estrada fora em contramão até quase cair no precipício fundo lá em baixo, ficando imóvel parada a olhá-lo de frente. Inspiro e expiro como se a dor fosse feita de ferro e acelero veloz uma vez mais. Perdi-me algures do meu corpo. Há partes das quais não se sabe abrir mão.

E quando nos sentimos afundar aos poucos lá fora ninguém sabe. É o som de perder o que nunca se encontrou.

 

miúda* às 03:41

Quinta-feira, 02 de Junho de 2011

Ao parar numa das filas intermináveis de trânsito que me adornam as manhãs, olhava para o retrovisor e apercebo-me do Mercedes antigo beje que vinha na minha direcção sem qualquer sinal de abrandamento. Quando já estava a ver a vida toda a andar para trás, um pé no travão num deslizar do carro interminavel que pára a centímetros de me bater.

Um casal de idosos. Ela, no lugar do pendura começa furiosamente a bater-lhe em pânico e ele coloca as mãos à cabeça como que sem tomar ainda bem presente a cena que acaba de acontecer.

Há momentos em que as tropelias dos acontecimentos se precipitam furiosamente e não sabemos bem como as coisas se desenrolam. A fila moveu-se e nós seguimos-lhe no serpentear dos contornos.

Às vezes temos uma estrelinha a olhar por nós.

 

miúda* às 11:15
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Terça-feira, 03 de Maio de 2011

 

 

Todas as manhãs me costumo cruzar com um senhor já com alguma idade e muito magro.

Todos os dias em plena berma da nacional ele faz o mesmo percurso, com umas galochas nos pés e sempre com uma particularidade: a dizer adeus aos carros que com ele se cruzam. Por muito longo seja o percurso que ele faz ele nunca baixa o braço para parar de acenar.

Ninguém parece ligar, vai sempre tudo muito concentrado nas mil e uma coisas que tem para o dia, eu na maioria dos casos também. Nos restantes olho para ele e pergunto-me que força é esta que o move a fazer o mesmo dia após dia, sem nunca parar?

 

miúda* às 12:05

Terça-feira, 23 de Março de 2010

O conta kilometros passa já dos 140km/h.

A estrada é estreita, desnivelada e com demasiadas curvas.

Não estou em mim.

Ao virar numa curva um carro de frente, guino num evitar de choque frontal e quase perco o controlo do carro porque o meu á muito que o perdi.

Não me afectou minimamente, por momentos quase desejei desaparecer ali mesmo.

 

miúda* às 17:48
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