“Que a errar, seja por agir e não por ceder ao receio. Que seja por arriscar voar e não por esperar que o vento mude.”

Perfil

//mais sobre mim

Arquivo

Posts

Quinta-feira, 28 de Abril de 2011

 

Até que ponto se acredita em sinais, coincidências ou mero acaso?

A probabilidade de um acontecimento se ir repetindo tantas vezes num só dia e ficar a girar na nossa cabeça cria um nó apertado no peito enredado a dúvida.

SÍtios tão distintos, geografias tão longe e momentos tão diferentes unidos por um único ponto que parece ter entrado na nossa cabeça e não pára d se fazer ouvir.

Não me condiciono a indícios vagos de algo que nem se sabe bem. Muito menos me rejo a filosofias ensaiadas e a grandiosidades proclamadas aos sete ventos. Limito-me à simplicidade de um questionar do porque não.

Somos homens e mulheres sem nome nem pátria na busca por algo a que possamos chamar nosso. Os rostos são meras identidades mutáveis que procuramos reconhecer a cada nova personagem que se cruza.

Apenas acredito, isso basta... por agora.  

 

“What If God Was One of Us?

Just a Slob Like One of Us

Just a Stranger On the Bus

Trying to Make His Way Home”

miúda* às 21:16

Domingo, 04 de Julho de 2010

LOOKBOOK.nu: "Essential" by Emmy Lux

 

"Tu olhas para uma pessoa, uma pessoa que sabes não ser uma pessoa qualquer porque o teu olhar se fixa nela, e quando ela olha para ti e sente o mesmo que tu, sentes que alguma coisa vai acontecer. Não sabes nada ainda, mas intuis, intuis com os teus sentidos, com o teu corpo e, às vezes, com o teu coração que aquela pessoa pode ter qualquer coisa para te dar, que não sabes o que é, mas sabes que um dia vais descobrir e que esse dia pode ser nesse momento. É então que tiras os dados do bolso e os lanças para cima da mesa."

 

Margarida Rebelo Pinto in Vou contar-te um segredo

 

 

 

 

Como das outras vezes o nosso olhar cruzou-se.

É apenas um desconhecido que vejo de tempos a tempos. Um olhos nos olhos mútuo por entre a multidão. Um virar para trás quando os corpos já passaram. Uma mera fracção de segundo instantânea que se perde na história da história da gente.

Olhamo-nos, cruzamo-nos e tudo passa até um supor de revolver do relógio num novo encontro.  

Nunca nos falámos, nunca estivemos próximos o suficiente para nos tocarmos, nunca lançamos os dados. Não é preciso.

É apenas um desconhecimento familiar que nos toca.

Um dia o destino toma rumo. Porque o dia não foi este momento. 

  

miúda* às 02:14
tags: , ,

Sexta-feira, 29 de Janeiro de 2010

Caminho sob o sol de inicio de tarde e perante um vento cortante.

Sento-me no muro de pedra junto ao rio observando o espelho de prata que se estende.

Mergulho de cabeça nos meus pensamentos e tento suportar o frio que me gela.

Sem que me aperceba aproxima-se um senhor já com alguma idade. Pede-me que leia um poema que ele escreveu. Olho-o com curiosidade mas assinto. Leio e antes que termine de o ler o senhor diz-me que é o que lhe quiser dar. Levanto os olhos da fotocópia, olho para ele e ele perante o meu olhar esvanece-se em desculpas que a poesia não se paga mas que ele está desempregado e que a vida não está fácil.

Decido ficar com o poema e pego na carteira. O senhor muito de repente retira a folha das minhas mãos e num ar suplicante pede-me para assinar o poema. Deixo-o assinar e dou-lhe alguns trocos que tinha.

Virei-me e continuei a olhar o rio embrenhada no regresso aos meus pensamentos. Não sei quanto tempo passou mas quando olhei o homem permanecia ali a mirar-me. Serenamente diz-me que não deveria estar triste. O que quer que me preocupasse não devia pensar nisso porque tinha um rosto demasiado bonito e aquela paisagem era majestosa demais para completar com melancolia.

Sorri e o senhor partiu.

Decidi então dar o passo seguinte rumo ao futuro, sair dali e deixar uma parte do que me atormenta para trás.

Chega a noite.

O que tinha deixado para trás reergue-se como se não suporte-se a suposição de ser esquecido.

Quebra o silêncio de muito tempo e atravessa-me o caminho de novo. 

Agrilhoada ao passado por vontade própria ou por imposição do acaso?

A vida dá muitas voltas… muitas delas continuam uma incógnita para mim…

 

miúda* às 23:19
: