“Que a errar, seja por agir e não por ceder ao receio. Que seja por arriscar voar e não por esperar que o vento mude.”

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Quinta-feira, 30 de Setembro de 2010

 

Sonhei com a imagem da carne e osso que me partiu o coração há muitos anos atrás. 

O primeiro amor marca sempre, às vezes até demais.   

Já passou tanto tempo desde que o vi pela última vez e por muito que puxe pela cabeça não me lembro da última conversa que tivemos.  

Os sonhos são miragens demasiado traiçoeiras...

Hoje iludiram-me na visão da vida que não tive. Algures no pretérito um simples virar á direita quando devia ter virado à esquerda faz toda a diferença...

 

miúda* às 22:37
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Quarta-feira, 29 de Setembro de 2010

A Jar Of Stuff

 

A amizade é como um órgão vital externo que nos faz funcionar. Ignoro isso tantas vezes.

Se por algum motivo ele falha algo parece tremer no quotidiano. Habituamo-nos a pessoas, a rotinas, a conversas e risos que vêm com aquela pessoa especifica. Damos valor à confiança, colocamo-la no centro da base que nos sustenta. Mas às vezes esse alicerce cede. Cai por terra e ficamos impotentes a vê-lo ruir. Jamais o conseguimos cimentar de novo. Eu não consigo. Levo a traição demasiado a peito. Levo a confiança demasiado a sério.

Tenho saudades, sinto falta daqueles momentos e de todo o reflexo que via do outro lado de quem já me conhecia bem, sem precisar de o dizer mas há coisas que não são para ser.

Lembro-me todos os dias dela e de como seria se as coisas não tivessem tomado o rumo que levaram. É uma suposição.

Ninguém é insubstituível mas às vezes o tempo agrava a saudade do que foi e não consegue ser agora. Afinal ninguém é ninguém e nós somos apenas nós a tentar rebuscar com outrem o que não consegue ser. 

 

miúda* às 19:57
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Terça-feira, 28 de Setembro de 2010

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Acordo às 6h da manhã para antes das 7h já estar de mãos no volante estrada fora.

Vejo o dia nascer tímido pelo parabrisas e suspiro no pára-arranca em que se tornaram os meus começos de dia.

Ligo o calor no carro porque o frio surgiu do nada mal chegou o Outono e páro a mais um sinal vermelho. Há dias que o nosso dia começa assim, a vermelho.  

Passo ao largo da cidade e olho o rio que se estende por momentos a meu lado como que percorrendo o traçado paralelo. Deixo a cidade com a mesma velocidade com que cheguei e rodeada de tanto ou mais engarrafamento com que cheguei a ela.

O caminho não cessa. É mais longe, muito mais e ainda me soa a cedo no corpo.

Camiões, carros de cilindrada e sem ela, motos e quantos outros, todos passam na mesma estrada, todos tomam o mesmo rumo por momentos até qualquer bifurcação aparecer para dividir as histórias de vida que se desenham trilho fora.  

O rádio faz a companhia e tudo o resto é desnecessário.

Uma placa indica o caminho nos confins do conhecido e é para lá que me dirijo.

Mais uns quantos semáforos e estaciono rápida num daqueles lugares sempre vazios. Olho uma última vez para o relógio e saio do carro para aquele café aconchegante e cheio de gente com cheirinho a manhã de café e pão quente. Ainda tenho uns minutos.

Bebico num sorver lento o café e como qualquer coisa. Há muito que já dirigi a caneca de leite com café que bebi a correr ao sair de casa. Sigo de novo e dirijo-me a passos para o trabalho. Entro timida de sorriso na cara como todas as manhãs num distribuir de "Bom dia".

Sento-me e prepraro-me para trabalhar aguardando indicações de quem ainda não chegou.

Por agora as aulas ficam reduzidas a um dia por semana e nos restantes quatro mergulho no mercado de trabalho à experiência.

Faço 150 km por dia e venho a casa dormir um par de horas.

Não podia crescer de outra forma.

 

    

 

miúda* às 21:43
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Sábado, 25 de Setembro de 2010

miúda* às 00:57
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Sexta-feira, 24 de Setembro de 2010

 

 

Um circo cheio de gente. Crianças, muitas, em todo o seu esplendor de risos contagiantes.

Um calor sufocante vive-se dentro daquela tenda de fantasia envolvidos por um ruído ensurdecedor de vida e um cheiro a pipocas que desperta os sentidos para tantos momentos volvidos.

Uma música familiar serve de hipnotismo que nos leva ao centro da tenda onde um palco vazio e a expectativa dos que nos rodeiam parece crescer.

Movemo-nos em uníssono ao som da música, num entrar a conta gotas premeditado. Empurramo-nos para a multidão e chamamo-la para nós. Puxo um pouco dela para mim e nisto seguro três crianças pela mão, onde giramos e rodopiamos numa alegria contagiante movidos pela música que ecoa.  

E nisto vejo-o. O olhar dele cai sobre mim como ferro em brasa que corrói a alma. Um manto de crianças contorna-nos quase como uma segunda camada da nossa pele e assim ficamos presos tão perto e tão longe do que supus ser. 

Sereno olha-me embevecido também ele de crianças pela mão. Rodopia e olha-me de novo como se estivesse a absorver cada instante daquela paragem do tempo em que danço de coração ao peito. E nisto eu fujo tão veloz quanto o corpo me permite daquele olhar.

Foi único e irrepetível. Um erro infundado que se perdeu no espaço da existência.

Porque há olhares que nunca devem ser lançados e muito menos recebidos.

 

 

miúda* às 23:18
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