“Que a errar, seja por agir e não por ceder ao receio. Que seja por arriscar voar e não por esperar que o vento mude.”

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Quarta-feira, 21 de Abril de 2010

Agitar veloz do sangue num coração irregular que bate descontrolado.

Uma pulsão do corpo que exala o desejo que não consegue esconder. Turbilhão no meio da multidão num mistura de odores e jeitos a que pareço responder. Mas é forte e eu fraca. Porque sinto, porque quero.

Escuridão singular da alma que subsiste num fantasma imortal que vai corroendo aos poucos o laço de inocência que me ata.

O que quer se que faça ou sinta está errado e certo numa antítese de quereres. Pontos-chave de tesão carnal para lá do palpável em sonhos e quimeras.

Queda no mergulho íngreme das palavras que destroem o que o corpo não consegue ocultar. São meros tremores cativos que propagam no vazio o amargo travo da impotência de esticar o braço e sorver a pele que se estende mas que está tão distante como o céu do mar.

 

 

miúda* às 17:55
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Terça-feira, 20 de Abril de 2010

factorygirl-photography:  (via billykidd)

Um lugar vazio a meu lado.

Chega e suscita que elas se afastem para que ele se sente. Sentar-se a meu lado é intolerável.

Evita olhar-me, está incomodado, agitado e olha para tudo o que o possa distrair da minha presença em frente a ele. Tudo lhe capta a mínima atenção e importância, desde que não olhe na minha direcção.

Levanta-se, abraça gente, fala-lhes ao ouvido, chama este e aquele numa procura de conversa que o prenda, caminha de um lado para o outro até por fim ir embora a sete pés.

Ignora-me mas a minha presença parece queimar-lhe na pele como um ferro em brasa difícil de suportar.

Fui e sou somente um bibelô invisível que ele procura a coberto da noite e de olhares e ouvidos indiscretos quando a fome de carne e o tesão são mais fortes que a sua vontade.

Estou bem, pacifica e ausente de rancor ao que me faz. Já ele precisa partir para um regressar coerente apenas quando vencer os seus fantasmas e assumir-se como o homem que nunca soube ser comigo.   

Hoje percebi que o mundo é pequeno demais para nós dois... mas eu não me vou mudar.

 

 

miúda* às 17:52
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Segunda-feira, 19 de Abril de 2010

Por Sol Foz.jpg

(foto Milú Gomes)

 

Há fogos que queimam sem se ver… já dizia o poeta.

Este fere pela ausência que o desejo de carne não mata e ainda me vive na pele, no coração e no pensamento.

Hoje o pôr-do-sol foi uma passagem veloz pela Foz do Douro enquanto palmilhava alcatrão num regresso a casa.

Um dia faço daquela beleza a minha casa por um dia e esqueço todas e quaisquer mágoas aonde regressei penosa, deixando para trás aquele instante em que queria ficar…

 

 

miúda* às 00:47
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Sábado, 17 de Abril de 2010

My Reflection

 

"Não podemos procurar uma pessoa com o intuito de lhe colocarmos nas mãos a chave da nossa felicidade. Porque enquanto procurarmos alguém pelas razões erradas, provavelmente continuaremos a encontrar as pessoas erradas. É claro que colocar a responsabilidade em outrém é sempre mais fácil.

Pensar que somos nós que detemos as ferramentas para construirmos a nossa felicidade, é doloroso e cansativo. E por isso passamos a vida a queixarmo-nos da falta de oportunidades, do azar, dos outros, etc... sem que queiramos, de facto, ser felizes.

Porque ser feliz dá muito trabalho. "

 

Marla

 

miúda* às 22:34
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Quinta-feira, 15 de Abril de 2010

 

Sam Taylor-Wood

Estou numa sala de cinema.

É intervalo e o silêncio da sala quase vazia é ensurdecedor. Tento concentrar-me num qualquer foco de pensamento que me desligue do turbilhão de sentimentos que me assombram. Sou somente eu numa dualidade de reacção imprevisível, na corda bamba de um querer.

Há histórias que nos tocam na ferida da mágoa e nos empurram para trás num despertar lúgubre de fantasmas austeros.

E nisto uma serena lágrima parece querer brotar até me percorrer a face seguida de mais uma e mais outra que caem quais pingos de melancolia nas minhas mãos fechadas pulsando de raiva.

É só uma vida e tão pouco tempo para viver o que merece ser vivido. Uma mera folha de papel em branco nas lacunas de um espaço temporal inexistente no entrelaçar das tantas vidas que se nos enrodilham cada pedaço de carne.   

 

 

miúda* às 23:31
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