“Que a errar, seja por agir e não por ceder ao receio. Que seja por arriscar voar e não por esperar que o vento mude.”

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Quinta-feira, 29 de Abril de 2010

Работы двух фотографов Waldemar & Max » Фото и рисунки, арт и креативная реклама

"Solidão não é falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer amor...

Isto é carência.

Solidão não é o sentimento que experimentamos na ausência dos entes queridos que não podem voltar...

Isto é saudade.

Solidão não é o retiro voluntário que nós impomos para realinhar os pensamentos...

Isto é equilíbrio.

Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente para que reavaliemos a nossa vida...

Isto é um princípio da natureza.

Solidão não é o vazio de pessoas ao nosso lado...

Isto é circunstancial.

Solidão é muito mais do que isto.

Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma..."

 

Chico Buarque de Holanda

miúda* às 22:57
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Quarta-feira, 28 de Abril de 2010

327/365 / Marion Clendenen

A compreensão não passa de uma miragem que se alimenta de suposições.

Procurar alcançá-la é como correr sem nunca sair do sitio, quando julgamos estar finalmente a perceber, tudo nos foge qual água por entre os dedos.

Meros comportamentos e pensares em estado de gente que me ultrapassam o entendimento. Mas contra tudo e todos eu quero entender. Não me interessa que sejam um desperdício de vitalidade que me consome aos poucos o tempo dos meus dias, semanas ou meses a fio.  

Eu preciso entender o que não me dão margem para perceber.

No fundo as pessoas são apenas seres demasiado complexos.

Não sabemos funcionar numa linearidade de reacções e sentimentos, em vez disso vamo-nos moldando aos outros e fechando em nós qualquer tudo que for nosso. Andamos aos empurrões na procura do caminho sem pensar muito nisso, apenas seguimos, nada mais.

Delimitamos fronteiras nítidas na compreensão do que somos e fazemos, e ignoramos a necessidade dos outros em obtê-la para também eles procurarem a sua.   

 

 

miúda* às 17:15
:

Terça-feira, 27 de Abril de 2010

Há pessoas que não conseguem ceder ao orgulho de pedir ajuda.

Poderiam estar para morrer mas antes isso ou pedir a ajuda a meio mundo que morder a soberba de dirigir a palavra a alguém especifico, que lhes entrou no pretérito mais do que queriam.

 Não é orgulho mas cobardia.

E eu não tenho e não quero ter espaço para tal na correria dos meus dias.  

Talvez a vida lhes ensine, um dia, que pedir ajuda a quem nos foi próximo na distância é um acto de humanidade, afinal não se é feliz sozinho, e o mundo está mais enrodilhado em laços e nós do que se supõe. 

A vida dá muitas voltas, e se há coisa que me ensinou, é que nos coloca o mesmo erro vezes e vezes sem conta até termos o discernimento de aprender com ele, por muitas cabeçadas que dê profundas na fortaleza de um pensamento cruel ou na dureza de um coração partido.    

 

 

miúda* às 00:15
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Segunda-feira, 26 de Abril de 2010

HEAVY / * GREEN OLIVE MAMA *

Às vezes a distância é apenas uma tempestade no meio da existência.

Não sei viver amarrada ao que nunca foi meu. Sou barco errante que navega contra a maré porque a visão do mar profundo embala mais que a terra quente. Deixo para trás na outra margem de mim as gentes e as incertezas porque não tenho metade da compaixão necessária para chorar quando o perto é longe demais.

Não há nada que me prenda e é areia quem algum dia me tenha feito nascer a dúvida.

Sou vento cordial que balança brisa fria num corpo que não sente.

Amanha tento novamente, por hoje sou sombra neutra que vagueia numa noite de primavera algures no céu das entrelinhas.

 

 

miúda* às 01:17
:

Sábado, 24 de Abril de 2010

 

"O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço..."


                      Álvaro de Campos

  

miúda* às 00:21
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