“Que a errar, seja por agir e não por ceder ao receio. Que seja por arriscar voar e não por esperar que o vento mude.”

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Sábado, 27 de Fevereiro de 2010

As incertezas são um legado que vamos adquirindo e atando ao coração aos poucos.

Somos carrascos de nós mesmos.

Não são as certezas e as pisadas que se dão firmes que magoam, o que magoa são as duvidas que o enredo que nos cerca cria, que as ilusões que alimentamos nos impõem e não sabemos contrariar.

Ficam ali a pairar quais abutres ansiando o baixar da guarda e o cair de joelhos no chão de coração inanimado incapazes dum último fôlego de vontade.

Porque a vida nos mina aos poucos e é preciso caminhar prudentes e audazes usando as ambiguidades como meio de ir e não como pausa para ficar.  

miúda* às 23:32
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Sexta-feira, 26 de Fevereiro de 2010

Desembarca-se na distância quando a proximidade sufoca.

Olho aquele lugar vazio e vejo o pedaço incompleto no meu coração. Talvez nunca tenha estado preenchido e jamais venha a estar, mas isso não me impede de sentir a dureza da ausência.

Uma organização de vida e de espaço em que me atesto incessantemente.

Existência contemplada e característica de quem caminha de olhos vendados com receio do que a claridade pode trazer. A ignorância é sempre a saída mais fácil. Não existem atalhos nem mapas quando se fala de sentir.

Finalidades de querer que se contradizem porque há presenças e ausências que não se suportam e vidas paralelas que não se admitem.

Sei o meu lugar e até onde posso ir.

Mas não aceito os limites que me impõem. As pessoas que mais nos limitam são as de quem gostamos, e contra essas marés e correntes é-se cobarde demais para remar.

 

 

miúda* às 21:07
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Segunda-feira, 22 de Fevereiro de 2010

Às vezes dá vontade de deitar tudo fora.

Reciclar a vida, os desejos, os pensamentos e as vontades.

Porque agasta cair sempre na mesma mácula.

Há quem diga que por vezes o mundo não chega. A mim não me basta. Aperta, fica pequenino e eu grande demais para um espaço tão objectivo.

Rostos, corpos, existências e torneares que me atordoam. Gente espelho de mim que me causa um formigueiro na pele e que me transforma numa ausente de consciência momentânea fixa no suspenso de um olhar sem retorno.

Tenho tanta certeza da realidade que me deixo guiar pelos caminhos do delírio. Divagares de prazeres pendentes que me moem lentamente.

Tentação do erro mais apetecido e veneno que aos meus olhos me perturba e incómoda.

É o que não quero e mesmo assim me puxa.

É o deserto do capricho altivo no oásis da carência.

É-me uma insuficiência de respirar.

E um deixar-me ir sem voltar.

 

miúda* às 22:04
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Sexta-feira, 19 de Fevereiro de 2010

Evoluímos a cada pensamento e a cada gerir do sentir.

Ocultamos medos e expressamos sorrisos velozes como os comboios que passam sem paragem arrastando-nos com um frio cortante.

Umas vezes escondemos as lágrimas e deleitamo-nos em gestos cordiais e ténues esperando que ninguém note a nossa essência momentânea.

Meras recepções ao mundo de braços abertos mas de coração fechado.

Porque a pele faz a divisão.

É limite interdito aos demais devaneantes e muro intransponível de desejos que deambulam inquietos no pulsar lento da vontade.

Somos escravos de nós mesmos.

Felizes e infelizes amarrados às correntes que nos separam.

Procuramos as semelhanças que nos falham nas diferenças e ignoramos o que nos passa ao lado da fome de querer.

Só interessa o que nos percorre a alma com aquele magnetismo estático que eriça a pele na leveza de um sopro.

Tudo o resto falha e cai e parte-se no vácuo do universo que nos cerca e que parece sempre pequeno demais para o que queremos deitar fora.  

  

 

miúda* às 17:06
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Quinta-feira, 18 de Fevereiro de 2010

“Cometi o mesmo erro duas vezes… cometi demasiados erros, demasiadas vezes, de cada uma das vezes que cometi o mesmo erro.

Cometi o pecado de me entregar, cometi o pecado de mendigar, cometi o pecado de quase amar.

Cometi o mesmo erro duas vezes… cometi demasiados erros, demasiadas vezes, de cada uma das vezes que cometi o mesmo erro.

Cometi a fatalidade de abraçar, cometi a fatalidade de beijar com ardor, de gostar com amor, de me deixar levar pelo desejo, de me deixar levar pela emoção, cometi a fatalidade de ouvir o coração abafando assim a razão…

Cometi o mesmo erro duas vezes… cometi demasiados erros, demasiadas vezes, de cada uma das vezes que cometi o mesmo erro.

Cometi o mesmo erro duas vezes e por isso choro de novo, esperneio de novo, praguejo de novo… e estou só de novo…”

daqui

 

 

 

miúda* às 15:30
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