“Que a errar, seja por agir e não por ceder ao receio. Que seja por arriscar voar e não por esperar que o vento mude.”

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Sexta-feira, 19 de Março de 2010

Deixo o calor vencer e retiro o casaco que me recobre os ombros desnudos. Uma pele branca ausente de sol sobressai no escuro de contornos que me cerca.

Permito que a multidão que dança frenética neste espaço apertado me consuma.

A música entra no meu corpo como uma ignição de movimentos descoordenados que vou propagando. Um balanço de luz que incide alternadamente leva-me ao patamar seguinte na entrada de um mundo paralelo, um quase instante em que sonho acordada.

É noite dentro e vejo a chuva bater forte na grande janela de vidro em que ninguém parece reparar.

Aos poucos o álcool sorvido de um só gole atraiçoa-me e entra-me veloz no sangue toldando-me a vontade e o pensar. Mas mesmo assim fujo daquelas mãos que me procuram a pele desnuda no meio da confusão. Não as quero, não quero qualquer imediação. Quero-me a mim e á minha capacidade de ser só. Um amor só vale quando dois querem e eu não quero.

Por agora basta-me a desordem que se vive num bar algures perdido numa qualquer rua da cidade.     

 

miúda* às 05:55
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