“Que a errar, seja por agir e não por ceder ao receio. Que seja por arriscar voar e não por esperar que o vento mude.”

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Quarta-feira, 07 de Março de 2012

Mario Pena

Estava no café quando passa la fora um casal. A mulher, que parecia ser uma Bondgirl saída de um qualquer filme do 007, seguia irradiando felicidade abraçada a um homem menos espampanante mas igualmente feliz. Um grupo de miúdos na mesa ao lado quase que colou ao vidro a babar pela mulher e a gabar-se que um dia também ia ter assim uma gaja.

Não sou alta, não tenho um belo par de mamas, a maquiagem já teve melhores dias, não uso mil e um cremes para tudo e mais alguma coisa, os meus caracóis andam em permanente desalinho, gosto de saltos mas ninguém me tira as sapatilhas, umas calças de ganga e uma camisola e estou pronta e fico feliz quando me dão menos idade que a que tenho. Não faço dietas e adoro comer, gosto de ir ao futebol, de cerveja e tremoços, de rir, de estar com os amigos e falar de tudo e mais alguma coisa, de discutir e mudar pontos de vista se for preciso porque o mundo não é estático.

Não sou nem nunca serei o que os gajos chamam de gaja boa. Mas sou eu e gosto de mim assim, nunca fui menos mulher por isso e nunca vivi menos que o suposto.  

Acho que ainda há pessoas que não querem ao lado pessoas de parar o trânsito, mas apenas alguém que lhes faça parar o seu mundo quando se abraçam.

 

miúda* às 09:43
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